A promessa é de tocar o projeto pelas mãos dos cidadãos
Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
O grupo busca definir uma melhor ocupação da área, sobretudo para um espaço de 1,5 mil metros quadrados onde, por mais de 20 anos, funcionou um posto de combustíveis. A ideia é de devolver o terreno à população, com a criação de áreas de convivência, parque infantil e quadras de esportes. O destino está aberto ao voto popular. A promessa é de tocar o projeto pelas mãos dos próprios cidadãos.
Uma revitalização, orçada em R$ 1,2 milhão, foi concluída em janeiro deste ano. No entanto, parece não ter resolvido os problemas. “Um local tão belo, mas que ainda representa medo para os seus frequentadores. Há sete meses que não é realizado nenhum tipo de manutenção.
A maioria das lâmpadas está apagada e, até mesmo, as plantas são regadas pela vizinhança”, denunciou Marylia Santos, 62 anos, que mora na região há 40. Segundo ela, as falhas incluem o abandono de monumentos e a utilização para eventos irregulares. O ato, batizado de “Viver a Aurora”, coletou sugestões e chamou a atenção da sociedade e do poder público para a importância do debate.
A estratégia foi a adoção do formato de urbanismo colaborativo. O professor do departamento de Arquitetura da UFPE, Ney Dantas, morador da Aurora há cerca de 10 anos, foi um dos que conduziram os trabalhos.
“A nossa ideia é de fazer uma coleta de desejos, com pessoas escrevendo o que gostariam que fosse instalado por aqui. Vamos elencar os cinco mais votados, debater abertamente e identificar que passo podemos executar para transformá-los em realidade. É uma noção de governança que se estende a todos os recifenses”, explicou. Por meio da internet, serão coletadas sugestões com a população, construindo um plano de ação. O documento deve ficar pronto ainda este mês.
O gramado se tornou uma grande festa. Para ocupar o espaço, muitos trouxeram a família e promoveram uma espécie de piquenique ao ar livre. Crianças e adultos contaram histórias e confeccionaram camisetas. Uma pequena feira orgânica também atraiu os olhares de quem passou pelo circuito, montado ao lado do monumento Tortura Nunca Mais.
A arquiteta Séphora Silva que, junto aos demais, participa da Associação Amigos da Aurora, ressaltou a importância da mobilização. “Lutamos por nossos direitos. Vamos promover diversas reuniões e depois formalizar um documento, cobrando soluções efetivas da prefeitura.”
Os problemas na rua da Aurora foram mostrados, na última semana, pela Folha de Pernambuco. A Emlurb garantiu que vem realizando as manutenções necessárias no espaço. No entanto, não foi informado calendário para novas ações.
Da Folha de Pernambuco
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